BC: VAZA INDICAÇÃO DE PERNAMBUCANO PARA DIRETORIA DO BANCO CENTRAL
TIAGO CAVALCANTI É PROFESSOR DE CAMBRIDGE
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o nome do economista pernambucano Tiago Cavalcanti para uma das duas vagas abertas no Banco Central. A outra indicação foi a do secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello.
Se forem efetivamente indicados e aprovados para uma das duas vagas abertas no BC - as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução -, Cavalcanti e Mello terão mandato até 31 de dezembro de 2029.
Haddad disse ontem que o vazamento das suas indicações para o BC "atrapalhou" a tramitação dos nomes. Em entrevista à Rádio Bandnews, Haddad disse também ter estranhado uma "reação orquestrada" aos nomes defendidos para a cúpula do BC. "Se quem vazou queria ajudar, atrapalhou", disse o ministro, referindo-se às reações contrárias principalmente ao nome de Mello.
Na segunda-feira, após o vazamento, ex-diretores do BC ouvidos pelo Estadão/Broadcast criticaram a indicação de Mello, visto como um economista heterodoxo, que defende juros baixos mesmo em condições macroeconômicas adversas.
O economista afirmou que a meta de inflação deveria ser reduzida ao longo do tempo - está em 3% hoje, contra 4,5% à época. E criticou a política econômica do governo Dilma, que reduziu juros e ampliou gastos fiscais, na chamada "nova matriz econômica".
Mais recentemente, em coluna que mantém no jornal Valor Econômico, ele defendeu os "avanços institucionais significativos" do BC com a introdução do Pix e o aumento da competição entre adquirentes das maquininhas de cartões, áreas que estariam sob a competência da diretoria de Organização do Sistema Financeiro, uma das que estão vagas.
Em outro artigo, de agosto de 2025, ele alertou para pressões de grupos de interesse sobre bancos centrais, que buscam direcionar as suas atuações para objetivos privados ou setoriais. Falando mais especificamente sobre normas prudenciais e a promoção da concorrência bancária, defendeu que os BCs devem preservar seus mandatos de controle da inflação e garantia da estabilidade financeira.
do JC
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