FEMINICIDIO NO PAULISTA
MULHER MORTA PELO MARIDO EM PAU AMARELO
Uma mulher de 37 anos foi assassinada no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, no Grande Recife, no domingo (15), por volta das 15h. A morte de Sandra Justino de Barros é investigada pela Polícia Civil , que prendeu em flagrante, nesta segunda-feira (16), na cidade de Buíque, no Agreste de Pernambuco, o ex-marido dela, de 46 anos, pelo crime de feminicídio.
Antônio Carlos Nascimento dos Santos foi preso por policiais da Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe. Após audiência de custódia realizada na Central Especializada das Garantias do município, ele teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e foi encaminhado ao presídio da cidade.
De acordo com o documento, acessado pelo g1 ela teve um traumatismo cranioencefálico provocado por "ação de meio contundente". Segundo informações do boletim de ocorrência do caso, Sandra foi encontrada morta dentro de casa, na Rua Alcino Ferreira da Paz, onde "morava [...] há pouco tempo". Ainda de acordo com o documento, "não foi encontrado qualquer tipo de objeto ou arma no local".
Em nota, a Polícia Civil informou que "foi instaurado inquérito policial e as diligências estão em andamento". Também disse que outras informações sobre a morte de Sandra "serão divulgadas em momento oportuno".
O velório dela aconteceu as 8h da terça-feira (17), no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, onde também ocorreu o enterro, às 10h.
LEMBRETE:
O Brasil registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no país. Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), que trás também o perfil das vítimas e dos agressores. O levantamento supera em 38,8%, ou seja, em mais de 600, o número de vítimas de feminicídio divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os dados que constam no sistema são informados pelos estados. Segundo a última atualização, no mês passado, foram 1.548 mulheres mortas por feminicídio em 2025. O feminicídio não cresce por acaso — ele é cultivado no silêncio, na omissão e na banalização da violência. Cada número esconde um nome, uma história interrompida, um lar devastado. No Brasil, o crime de Lei do Feminicídio existe para reconhecer que matar uma mulher por sua condição de ser mulher não é um homicídio comum — é o retrato extremo de uma cultura que ainda tolera o controle, o ciúme doentio e a violência doméstica.
Combater esse avanço exige postura firme: Não normalizar agressões “pequenas”. Denunciar sinais de abuso. Fortalecer a família como espaço de respeito, não de domínio. Exigir do Estado ação rápida e punição exemplar. Onde falta justiça, cresce o medo. Onde o medo impera, vidas se apagam antes do tempo. Ser contra o feminicídio não é discurso — é vigília constante. É romper o ciclo antigo da violência com coragem nova. É lembrar, todos os dias: nenhuma mulher deve pagar com a vida por existir. No entanto, os governos e legislaturas, tendo a frente mulher ou homem, o máximo que fazem não é o suficiente. Os números mostram isto.
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